Existe uma diferença muito grande entre vender pelo menor preço e vender pela maior percepção de valor.
Quando uma ótica não consegue demonstrar o valor daquilo que oferece, o desconto passa a ser o caminho mais fácil para fechar a venda. O problema é que, quando isso vira rotina, a empresa pode até vender, mas começa a comprometer sua margem, sua autoridade e a sustentabilidade do próprio negócio.
Proteger a margem não significa ignorar a realidade do cliente ou deixar de negociar. Significa conduzir a negociação com estratégia, entendendo até onde a ótica pode chegar sem desvalorizar o produto, o atendimento e toda a experiência construída.
O cliente não compra apenas uma lente ou uma armação. Ele compra segurança, estética, conforto, confiança e uma solução que fará parte da sua rotina. Quando o profissional apresenta somente o preço, tudo isso desaparece da negociação.
Antes de oferecer desconto, é necessário fortalecer a percepção de valor.
VALOR PRECISA SER CONSTRUÍDO DURANTE TODO O ATENDIMENTO
A proteção da margem não começa no momento em que o cliente pergunta: “Qual é o menor valor que você consegue fazer?”. Ela começa na recepção, na qualidade das perguntas, na explicação técnica, na escolha das armações e na maneira como a solução é apresentada.
Uma equipe preparada não corre para o preço. Primeiro, ela compreende a necessidade do cliente. Depois, apresenta uma solução coerente e mostra, com clareza, os benefícios daquela escolha.
Quando o cliente percebe conhecimento, atenção e personalização, a conversa deixa de ser apenas sobre quanto custa e passa a ser sobre quanto aquela solução pode melhorar sua vida.
DESCONTO NÃO PODE SUBSTITUIR ARGUMENTAÇÃO
Muitas óticas acreditam que estão perdendo vendas por causa do preço. Em alguns casos, porém, a venda foi perdida porque o valor não foi bem apresentado.
Desconto não pode ser a primeira resposta diante de uma objeção. A equipe precisa aprender a investigar o que realmente está impedindo o fechamento:
- É o valor total?
- É a forma de pagamento?
- É uma dúvida sobre a qualidade?
- É insegurança para tomar a decisão?
- É falta de entendimento sobre os benefícios?
Cada objeção exige uma condução diferente. Quando todas são respondidas com desconto, a ótica perde margem e não desenvolve a capacidade comercial do time.
NEGOCIAR É DIFERENTE DE CEDER
Uma boa negociação busca equilíbrio. O cliente precisa sentir que realizou uma excelente compra, e a ótica precisa preservar a rentabilidade necessária para continuar oferecendo qualidade.
Isso exige regras claras. O consultor deve conhecer sua autonomia, o gerente precisa saber quando assumir a negociação e as exceções devem respeitar critérios definidos pela empresa.
Quando cada profissional oferece um valor diferente, o cliente percebe insegurança e aprende que basta insistir para conseguir mais desconto. Com o tempo, a própria ótica enfraquece o preço que estabeleceu.
A margem é protegida quando existem processo, treinamento, liderança e uma comunicação de valor consistente.
APLICAÇÃO PRÁTICA
Reúna sua equipe e avalie:
- O time apresenta os benefícios antes de falar sobre desconto?
- Os consultores sabem investigar a verdadeira objeção do cliente?
- Existem limites claros de negociação para consultores e gestores?
- A experiência entregue pela ótica sustenta o valor cobrado?
Uma ótica não se torna mais competitiva simplesmente reduzindo preços. Ela se torna competitiva quando o cliente percebe que está recebendo muito mais do que um produto.
Preço pode chamar a atenção. Mas valor, confiança e experiência são o que sustentam a decisão de compra.
Na próxima matéria, vamos falar sobre um ponto fundamental: como transformar o atendimento em uma experiência capaz de aumentar a conversão, gerar indicações e fazer o cliente voltar.
📱 Clique aqui para seguir o canal do Fique de Olho no WhatsApp