O mercado óptico brasileiro atravessa um momento de transformação profunda. Com mais de 70 mil estabelecimentos ativos em todo o país, o setor encontra-se em uma encruzilhada estratégica: continuar competindo agressivamente por preço ou elevar o patamar para oferecer valor, moda e identidade.
Para Isabel Borges, empresária e diretora da rede Ótica Paris, em Goiânia, a resposta para o sucesso sustentável está no olhar atento à essência do negócio. Ela alerta que a banalização do varejo, focada estritamente na venda transacional, é um desafio constante para quem deseja profissionalizar a operação.
O erro do “nivelamento por baixo”
Dados de mercado, frequentemente divulgados pela Abióptica, reforçam o papel fundamental do segmento na saúde visual do país. No entanto, quando as ópticas focam exclusivamente em pagar boletos, esquecem que estão lidando com um produto que exige confiança e precisão.
“A gente vê muita banalização no segmento, e muitas ópticas se preocupam em vender preço, e isso faz com que o nosso segmento nivele por baixo”, aponta Isabel. Para a empresária, o caminho não é a guerra de descontos. “O preço não é o melhor caminho nem para o consumidor”, afirma a empresária.
Óculos como marca pessoal
Um dos maiores ensinamentos de Isabel Borges é a desmistificação do uso dos óculos. O que antes era visto apenas como uma necessidade clínica, hoje é uma peça central na construção da imagem. O consumidor moderno busca muito mais do que correção refrativa; ele busca design, presença e, acima de tudo, identidade.
“As ópticas de sucesso estão cada vez mais moda, cada vez mais presença, cada vez mais entregando o valor da personalidade em cima dos óculos”, reforça a diretora da rede de lojas Ótica Paris. Ao posicionar o acessório como um componente de estilo, o lojista transforma o desejo de compra em um aliado do visual do cliente.

O tripé da sustentabilidade no varejo
Para o dono de ótica que deseja sair do ciclo de vender por preço e entrar no ciclo de vender valor, a profissional indica três pilares inegociáveis:
- Tecnologia de Ponta: Utilizar equipamentos de medida personalizada que comprovem, na prática, a diferença técnica de um produto de qualidade.
- Educação Técnica: O cliente precisa entender a importância de filtros (luz azul, UV) e tratamentos. O óculos é um aliado contra radiações e riscos de impacto; quando o cliente entende a proteção, o valor clínico da venda aumenta.
- Experiência Emocional: “Óculos é diferente de qualquer produto”, afirma Isabel. É um processo que culmina na entrega de felicidade e bem-estar. O atendimento deve refletir essa importância, desde a recepção até o pós-venda.
Compromisso com a saúde
O sucesso no mercado óptico, defende Isabel Borges, está intrinsecamente ligado à responsabilidade. Lideranças do setor, inclusive através de entidades como o Sindióptica, têm um papel essencial em conscientizar a população sobre a busca por produtos de boa procedência e que ofereçam garantia dos óculos.
Lutar contra a banalização não é apenas uma estratégia de negócio; é um dever ético com a saúde visual da população. Ao trabalhar de forma séria e profissional, a ótica deixa de ser apenas mais uma loja na rua e passa a ser uma referência de confiança na sua comunidade.