O mercado óptico brasileiro atravessa uma transformação no perfil de consumo, na qual a busca por exclusividade e personalização ganha espaço frente à produção em massa. Além de responder às necessidades de correção da acuidade visual, o uso de armações passa a integrar estratégias de imagem pessoal e estilo, impulsionado por metodologias de visagismo e pelo resgate da confecção artesanal conhecida como técnica lunetier.
Durante apresentação voltada a profissionais e empresários do setor, especialistas detalharam como a estruturação do atendimento ao cliente evoluiu para além da simples escolha de modelos em vitrine. A proposta baseia-se em alinhar proporções faciais, perfil comportamental e intenção de imagem antes da escolha final do produto.
De acordo com Pedro Assunção, visagista óptico, a metodologia busca romper com o modelo convencional das marcas tradicionais. “Nós somos contra o ‘império do mesmo’. Quando você vai comprar um óculos de uma marca muito tradicional, você fica preso ao que todo mundo está usando. A gente quer realmente despertar a autenticidade desses clientes através de peças exclusivas”, afirmou durante a demonstração técnica.
Produção artesanal e tempo de confecção
Um dos pontos centrais da mudança de abordagem é o uso da técnica lunetier, que consiste no desenho, corte e acabamento manual de armações em acetato. A prática permite que o cliente participe da definição do design e tenha um produto único ajustado ao seu rosto.
Durante a demonstração prática da moldagem do material, o Lunetier Edvaldo Santos, explicou o nível de precisão exigido na serra de bancada e o tempo de maturação do produto artesanal: “Se você parar para fazer um óculos respeitando o tempo de secagem das colagens, em três dias você consegue finalizar. Mas, como é uma coisa artesanal, você tem que criar essa expectativa com o seu cliente”, ressaltou.
A transição também redefine a forma como os estabelecimentos enxergam a função primária das lentes corretivas na decisão de compra do consumidor. “A gente mostra para o cliente que a imagem pessoal vem antes da correção do óculos. A gente não associa o óculos, em momento nenhum, como uma forma de corrigir a miopia ou aquele problema. Se o cliente for pensar escolhendo só em necessidade, ele vai escolher o óculos igual escolhe um aparelho auditivo: o mais neutro e discreto possível”, complementou o visagista Pedro Assunção.
Tradição familiar e novas demandas de mercado
A aceitação das novas técnicas por ópticas tradicionais sinaliza que o modelo artesanal começa a dialogar diretamente com o varejo consolidado. Para empresários que acompanham a evolução do setor há gerações, a incorporação de serviços sob medida atende a um público que enxerga o item como acessório de moda.
Convidada especial do evento, a empresária Juliana Canedo, gestora da TDCK Óculos Autorais, destacou a relevância de atualizar os processos produtivos sem perder a identidade técnica. “É uma inovação. Eu já estou há muito tempo no ramo e a gente está querendo usar os óculos como um acessório. Essa fabricação e esse desenho vão facilitar e trazer uma personalidade a mais para quem usa”, explicou.
Com formação em visagismo e vivência no setor desde a adolescência, a empresária reforça o valor histórico e emocional do segmento, apontando a processo lunetier como caminho para o futuro da área. “Meu pai foi um dos pioneiros no ramo óptico e eu nasci no setor, aprendi a gostar e amar. Estamos inovando a cada dia mais. A técnica lunetier é muito charmosa porque traz essa questão do artesanal e do exclusivo”, concluiu.
Com a expansão dessas metodologias, o setor óptico busca se consolidar não apenas como prestador de serviços de saúde visual, mas como um segmento estratégico dentro da indústria de design e imagem pessoal.
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