Evento realizado no Parque Tecnológico de Santo André reuniu especialistas, empresários e entidades do setor óptico para discutir os efeitos das novas regras sobre caixa, preços, fornecedores, estoque, dados e gestão
A reforma tributária começa a chegar à rotina das óticas. Fluxo de caixa, formação de preços, relação com fornecedores, créditos tributários, estoque e sistemas estiveram entre os temas do encontro Contabilidade Estratégica com Tecnologia para o Varejo Óptico, realizado em 28 de agosto, no Parque Tecnológico de Santo André, no ABC Paulista.
Promovido pela ASPR e pela BHub, o evento reuniu empresários e gestores do setor e teve participação da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), do Centro de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo (CITE), das associações comerciais de Santo André (ACISA) e São Bernardo do Campo (ACISBEC) e do Sebrae ABC.
Reforma exige preparação das óticas
A programação começou com uma mensagem em vídeo de Ambra Nobre Sinkoc, presidente estatutária e diretora executiva da Abióptica. Ela defendeu a aproximação entre empresas e profissionais e a troca de conhecimento como formas de preparar o mercado óptico para os desafios dos próximos anos.
Ary Silveira Bueno, fundador e diretor da ASPR, apresentou a contabilidade consultiva e estratégica como um dos eixos do encontro: “O nosso tema é a contabilidade consultiva, uma contabilidade estratégica com o uso intensivo de tecnologia”. Em sua fala, também citou o avanço das ferramentas digitais e da inteligência artificial e defendeu um uso mais efetivo das informações contábeis pelas empresas.
Evandro Bausato, secretário de Desenvolvimento, Emprego e Renda de Santo André, levou a discussão para a capacitação empresarial: “Um deles é fazer os empresários entenderem que a capacitação é necessária”. Para o secretário, a conexão entre empresas, entidades, poder público e instituições da região pode ajudar a transformar conhecimento em competitividade. Ao falar diretamente aos empresários do setor óptico, relacionou a reforma à necessidade de “crescer, perpetuar, organizar melhor, planejar melhor o dia a dia” dos estabelecimentos.
Caixa e fornecedores entram na conta
Jorge Vargas Neto, fundador e CEO da BHub, concentrou sua apresentação nos efeitos da reforma sobre o fluxo de caixa, a cadeia de fornecedores e as margens.
Um dos mecanismos abordados foi o split payment, ou pagamento fracionado, que prevê a separação dos tributos no momento da liquidação financeira das operações abrangidas. Vargas Neto alertou que a mudança pode reduzir a disponibilidade imediata de recursos no caixa e exige que o empresário reveja produtos, fornecedores e estrutura tecnológica.
A orientação foi se preparar antes que os impactos apareçam na operação. Segundo o executivo, será necessário avaliar a cadeia de fornecedores e as possibilidades de reduzir os efeitos da nova tributação sobre o negócio.
Reforma também muda a rotina contábil
Felipe Vieira, gerente fiscal e tributário da BHub, aprofundou os aspectos contábeis e tributários. Precificação, rentabilidade, fluxo de caixa e condições de compra apareceram como pontos que precisam ser acompanhados com mais atenção.
A apresentação mostrou que origem do fornecedor e regime tributário podem interferir no custo efetivo de uma mercadoria e, consequentemente, na margem da ótica. Vieira também abordou os efeitos da transição sobre benefícios fiscais e a necessidade de analisar cada operação de acordo com suas características.
Ao comentar a exposição, Ary Bueno reforçou que a complexidade das novas regras aumenta a importância da contabilidade para quem empreende: “A partir de agora ou você usa a contabilidade efetivamente para ter um negócio seguro ou os riscos são enormes”.
Estoque pode esconder o resultado
Orlando Bueno, empresário do varejo óptico, palestrante e sócio da B-15 Optidados, levou a discussão para dentro da loja. A partir dos números da própria operação, mostrou como vendas, equipe, meios de pagamento, estoque e rentabilidade podem ser acompanhados para orientar a administração.
O empresário apresentou indicadores da ótica que administra e defendeu o acompanhamento constante dos números, inclusive para identificar perdas e avaliar o desempenho real do negócio.
Ao encerrar sua apresentação, Orlando mostrou a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) da loja e informou uma margem em torno de 25%, comparando o resultado com referências apresentadas por redes de franquias.
Ary retomou o exemplo para defender uma gestão apoiada em sistemas e dados. Segundo ele, informações bem tratadas passam a ter peso cada vez maior na administração das empresas.
Capacitação fecha a programação
Marco Arapongas, palestrante da Pipe Vision com atuação em gestão de estoque, encerrou as apresentações defendendo o aperfeiçoamento constante da administração das óticas. A partir da experiência no segmento, relacionou melhores resultados à capacidade de observar com mais atenção cada área do negócio.
Ao reunir reforma tributária, contabilidade, caixa, fornecedores, estoque, tecnologia e dados, o encontro colocou a preparação das óticas no centro da discussão. A mensagem apresentada no palco foi direta: as mudanças tributárias exigem uma leitura mais próxima dos números e da rotina de cada empresa.