O mercado varejista de saúde visual não aceita mais o amadorismo. Se há alguns anos era possível sustentar uma óptica apenas com a intuição do proprietário e a força de marcas conhecidas na vitrine, o cenário atual exige uma postura rigorosamente empresarial. Em entrevista ao programa Fique de Olho, Igor analisou detalhadamente os pilares que sustentam as operações que continuam crescendo e deixou claro que a virada de chave é, antes de tudo, cultural.
Para Igor, o grande gargalo de muitas empresas do setor ainda reside na falta de profissionalização da gestão, onde o “sentimento” substitui os números.
“O mercado óptico vem se transformando muito. E o que eu percebo, conversando com muitos donos de ópticas, é que o ‘feeling‘ já não é mais suficiente para garantir o sucesso do negócio. Hoje a gente precisa falar de dados, a gente precisa falar de indicadores, de processos muito bem estruturados.”

A cultura do indicador
O especialista aponta que o controle minucioso de métricas básicas de varejo, como taxa de conversão, ticket médio e giro de estoque, separa as ópticas que lucram daquelas que apenas sobrevivem. Olhar para a operação de forma analítica permite ao gestor identificar exatamente onde a venda está sendo perdida e qual gargalo precisa ser corrigido imediatamente.
No entanto, a tecnologia e os números são apenas ferramentas. O verdadeiro motor do varejo óptico continua sendo o fator humano. Igor enfatiza que o investimento em treinamento não deve ser visto como um custo sazonal, mas como uma estratégia central de retenção e conversão.
“Se o dono da óptica não investir em pessoas, em treinamento contínuo, ele não vai conseguir reter os talentos e, consequentemente, não vai entregar a experiência que o cliente espera hoje dentro da loja. O produto hoje ele é muito commodity, a lente, à armação. O que vai diferenciar uma óptica da outra é o atendimento, é o processo, é o como você atende aquele cliente.”
Em um mercado onde os produtos se equalizam, a verdadeira soberania de uma óptica não se mede mais pela tradição na fachada, mas pela precisão dos seus dados e pela alma do seu atendimento. Olhar para o futuro do varejo óptico é, acima de tudo, ter a coragem de enxergar o próprio negócio com clareza profissional e o compromisso inegociável de evoluir com o seu time.
O desafio da liderança
A provocação final de Igor é direcionada diretamente para quem está no topo da pirâmide do negócio. O sucesso ou o fracasso de uma óptica, segundo ele, reflete diretamente a postura de seu proprietário em relação ao desenvolvimento do próprio time e à clareza dos processos internos.
“A grande virada de chave para o dono de óptica hoje é entender que ele precisa ser um gestor de pessoas e de processos. O produto é a consequência. Quando você tem um time engajado, que entende o processo e que é treinado constantemente, o resultado em vendas acontece naturalmente.”
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