Iniciativa une capacitação gratuita, inclusão social e geração de mão de obra qualificada para o mercado óptico
A Fundação Abióptica e a ONG Hope House, de São Paulo, formalizaram uma parceria que leva capacitação profissional gratuita a jovens em situação de vulnerabilidade social e abre uma nova frente de qualificação de mão de obra para as empresas do setor óptico. O acordo foi celebrado na inauguração da nova sede da entidade, em 4 de julho, na zona Norte da capital paulista, ocasião em que também foi inaugurado o laboratório de informática que passa a sediar o Curso de Consultor Óptico, programa em formato EAD desenvolvido pela Fundação Abióptica, entidade social ligada à Abiótica, associação que representa empresas do segmento óptico brasileiro.
Segundo Ambra Nobre Sinkoc, diretora executiva da Abióptica e da Fundação Abióptica, a instalação do laboratório na nova unidade da Hope House garante aos alunos acesso ao conteúdo digital do curso em um ambiente seguro, adequado e preparado para o aprendizado. Empresas associadas à Abiótica contribuíram para montar o espaço, onde o curso passa a ser ministrado de forma online, com encaminhamento dos alunos para estágio nas óticas parceiras e possibilidade de efetivação. “Gera mão de obra qualificada para o nosso setor, gera ação social e gera benefício à comunidade”, resume a executiva.
Para Ambra, o alcance do projeto vai além da estrutura entregue. “Hoje a gente inaugura um laboratório, mas o que a gente espera é que daqui a um tempo isso não seja apenas um laboratório, seja assim uma transformação de vidas e uma inclusão social muito importante”, diz. “Mais do que inaugurar um novo espaço, as instituições inauguram novas oportunidades por meio da educação e do trabalho”, completa.
Quem é a Hope House e por que a parceria era necessária
A Hope House completa seis anos de atuação voltada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Joe Queiroz, cofundador e presidente da entidade, com formação em Psicologia Social, explica que a organização foi criada para ampliar oportunidades por meio de programas de educação, esporte e arte, hoje atendendo cerca de 300 alunos na unidade do Limão e mais de 90 na unidade de Perus.
Um dos principais desafios da ONG estava na continuidade do atendimento: pelo estatuto da entidade, os alunos são acompanhados até os 16 anos e, ao atingir essa idade, precisavam deixar o projeto sem uma perspectiva profissional definida. “Quando chega nos 17 anos, pra gente é uma dor muito grande, porque a gente não pode manter mais esse aluno no projeto”, relata Joe. A parceria com a Fundação Abióptica preenche essa lacuna. Embora o curso seja oferecido em formato EAD, os alunos são incentivados a frequentar a sede da ONG para acompanhar as aulas utilizando a estrutura do laboratório. A proposta é proporcionar um ambiente dedicado aos estudos, favorecendo a concentração, a convivência e o engajamento dos jovens com a formação profissional. “Essa parceria pra gente acaba sendo ideal, porque a gente vai manter os nossos alunos no projeto, dando oportunidade de futuro pra eles”, afirma.
A aproximação entre as duas instituições teve origem em uma parceria anterior da Hope House com a Ótica Diniz, firmada em 2024, que ofereceu atendimento oftalmológico, consultas e óculos a mais de 200 crianças atendidas pela ONG. A partir dessa conexão com o mercado óptico, Anderson Vieira, consultor óptico, teve papel importante na construção da iniciativa ao aproximar a Hope House da Fundação Abióptica e conectar uma necessidade da entidade à solução oferecida pelo Curso de Consultor Óptico. A articulação contribuiu para transformar uma demanda social em uma oportunidade concreta de qualificação profissional e inserção dos jovens no mercado de trabalho. A entidade não possui convênio com o poder público e depende de mantenedores privados para custear aluguel, infraestrutura e equipamentos dos cursos. “A parceria com o empreendedor, com o mercado de trabalho, é muito importante, porque dá combustível pra gente. A gente não pode romantizar que sem o incentivo financeiro a gente não consegue avançar nos projetos”, diz o cofundador da Hope House.
A nova sala de tecnologia da Hope House recebeu atenção especial em seu projeto visual. Laize Minelli, responsável pela comunicação da ONG, explica que o ambiente foi decorado com ícones como alvo e foguete, pensados para estimular os alunos a ampliar horizontes. “A frase ‘mudando histórias, transformando destinos’ traz muito disso, porque a gente tem essa ideia de que o que nós estamos fazendo aqui tá mudando a história, e quando a gente muda isso, a gente transforma realmente muitos futuros”, diz.
Como funciona o Curso de Consultor Óptico
O curso combina módulos em EAD com encontros presenciais voltados à aplicação prática dos conteúdos, incluindo formação técnica em produtos ópticos, saúde visual e ética profissional, além de um módulo específico de preparação para entrevistas de emprego e atendimento ao público. Andréia Monteiro, da RH Óptico e embaixadora da Fundação Abióptica, explica que a proposta é acompanhar o aluno do início ao fim do processo. “A gente pega na mão desse aluno, a gente profissionaliza com um curso de altíssima qualidade, onde ele vai estudar online e depois ele vai ter a oportunidade de gerar a prática daquele conhecimento que ele teve online em uma empresa parceira que vai gerar empregabilidade pra ele, vai gerar dignidade e sem dúvida alguma vai transformar a vida desse jovem através do trabalho”, afirma.
Após a etapa teórica, os alunos cumprem estágio prático de 20 horas em óticas parceiras da rede Abiótica, distribuídas em quatro horas diárias ao longo de uma semana, período usado para validar o conhecimento adquirido no curso e aproximar o jovem da rotina do setor.
Um setor que precisa de mão de obra qualificada
O setor óptico brasileiro emprega mais de 190 mil pessoas em 71.226 pontos de venda. Por ano, são vendidos 106,5 milhões de óculos no país, e com escassez de mão de obra qualificada. Para Andréia, essa é justamente a lacuna que o programa ajuda a endereçar: “É uma grande oportunidade para o setor óptico de sanar essa dor tão grande porque a ótica é mais elaborada, não é como vender uma roupa ou um acessório: a gente cuida da saúde visual, a gente melhora a vida das pessoas através da visão.”
Como as empresas do setor podem apoiar o projeto
Segundo Ambra e Andréia, óticas e empresas do segmento têm diferentes formas de participar da iniciativa. É possível patrocinar diretamente o Curso de Consultor Óptico, hoje mantido pela Abiótica, ampliando a oferta de vagas; apoiar a montagem de novos laboratórios de informática em outras unidades da Hope House; ou contribuir com as despesas do período de estágio dos alunos. O empresário também pode se tornar embaixador do curso, divulgando a formação gratuita em sua região e comunidade, e receber jovens durante o estágio prático de 20 horas, oferecendo a experiência que valida o aprendizado teórico. Do lado da Hope House, Joe reforça que o apoio também se traduz em necessidades operacionais mais diretas, como doação de computadores e notebooks usados nos cursos e ajuda com despesas fixas como o aluguel do espaço. Empresas interessadas podem formalizar a parceria pelo site ou pelas redes sociais da Fundação Abióptica.
Matéria produzida em colaboração com Déborah Lima – MTB 46691
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