O mercado óptico brasileiro iniciou 2025 sob um olhar de otimismo resiliente. De acordo com os dados mais recentes da Abióptica (Associação Brasileira das Indústrias Ópticas), a estimativa de crescimento para o setor este ano foi ajustada para 5%, após um desempenho robusto que movimentou R$ 27 bilhões em 2024. Embora o varejo tradicional enfrente a cautela do consumidor, os nichos especializados, como o de óculos esportivos, surgem como oportunidade estratégica para manter as margens de lucro elevadas. Fora das quatro paredes das lojas físicas, o setor de corridas de rua no Brasil registrou um salto de 29% no número de provas oficiais, segundo a Abraceo, criando um ecossistema que deve atingir R$ 1 bilhão em movimentação financeira até o fim do ciclo de 2025 (dados ainda não consolidados e divulgados até o fechamento desta matéria)..
Este ecossistema é composto majoritariamente por um público de bom nível cultural e poder aquisitivo. Pesquisas de perfil do atleta brasileiro indicam uma predominância das classes A e B, pessoas que enxergam no esporte um investimento em saúde e um momento de lazer em família. Para o gestor óptico, este cliente representa um ticket médio diferenciado, mas que exige presença e conveniência técnica. Fernanda Rocha, empresária à frente da Ótica Original e da marca Bravus, é pioneira nessa transição de modelo. “Eu sou formada em Educação Física, então já tenho esse pezinho ali no esporte. Vimos a necessidade de trazer óculos esportistas para as pessoas que fazem diversos esportes. Primeiro começamos com ciclista e fomos caminhando para os corredores de rua”, contextualiza a empresária.
A Logística da Vitrine “Flash”
Diferente do varejo convencional, onde o fluxo de clientes é diluído, nos eventos esportivos a dinâmica de venda é concentrada em janelas curtas e intensas. A montagem de uma estrutura itinerante exige um rigor operacional que se assemelha a uma operação de guerra. “Não é fácil. A gente monta uma loja e desmonta uma loja nos domingos de manhã. Temos que estar lá às cinco horas da manhã, que o evento abre a arena por volta de seis e meia. Temos uma hora e meia para montar tudo, e a montagem não é colocar uma mesinha ali, é toda uma estrutura com óculos de valor agregado”, revela Fernanda.
A recompensa dessa agilidade operacional reflete-se na conversão massiva. “Já tivemos um evento que foi no BOPE este ano, onde ficamos em três pontos diferentes vendendo óculos. Deve ter vendido mais de duzentos óculos em uma janela de três horas e meia, no máximo”, conta a empresária. Essa rapidez é essencial para atender o atleta que, no calor da arena, identifica uma falha em seu equipamento ou é seduzido pela novidade. A técnica de enfermagem Agda Rattis reforça a utilidade prática do modelo: “É a conveniência de ter uma loja itinerante de óculos solar bem nos dias de corrida”.
Além da Estética: A Conversão Técnica no Esporte
Um dos maiores diferenciais competitivos deste nicho é o atendimento ao atleta que necessita de correção visual. O erro comum de competir com armações casuais compromete o desempenho e a segurança. O bombeiro Marcelo Teixeira de Pádua é enfático sobre essa necessidade: “O óculos oferece proteção visual e melhora a performance e a segurança durante a atividade”. A possibilidade de adaptar lentes de grau, inclusive multifocais, em modelos de alta performance, é o que fideliza o cliente. “Aquele atleta que usa óculos de grau e vai pedalar ou correr com o óculuzinho normal do dia a dia encontra aqui uma solução. Levamos acessibilidade para ele ter qualidade de vida ao fazer seu esporte”, explica Fernanda.
Janaína Proença, cliente frequente, destaca que “as orientações consultivas que recebe no atendimento fazem os óculos tornarem-se uma compra necessária”, provando que o papel do vendedor em campo é o de um consultor técnico. Mesmo em condições climáticas variadas, a educação do consumidor gera vendas. Isabela Romão, praticante de corridas, relata que aprendeu a importância do acessório: “Faz muita diferença, mesmo em dias nublados, usar um bom óculos de sol durante as corridas”.
Inovação e Comunidade: O Futuro do PDV Móvel
Para o profissional óptico, a estratégia para 2025 deve incluir a criação de desejo e o engajamento direto. A marca Bravus utiliza embaixadores e ativações interativas para manter o estande como ponto focal da arena. “Sempre temos que estar trazendo coisas diferentes. Temos a ‘Corda Bravos’, onde quem pula corda por mais tempo ganha um óculos. E já vendemos óculos até à noite; fizemos o estande cheio de luzes, parecia que tinha um sol lá dentro para a pessoa ter a sensação e comprar”, finaliza Fernanda Rocha.
Daniele Cristina Alves Neto, apaixonada pela marca, resume o sentimento do público-alvo: “É irresistível ter a estrutura para compra no dia da corrida”. Para o mercado, a mensagem é clara: o sucesso não está mais apenas em esperar o cliente entrar na loja, mas em estar presente no quilômetro exato onde ele decide investir em si mesmo.
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