A cada ciclo de Olimpíadas de Inverno e outros tantos eventos esportivos, o mundo assiste a atletas desafiando limites em condições extremas de luminosidade e velocidade. Embora o Brasil seja o país do sol, o reflexo técnico desses eventos está moldando o consumo interno. O “efeito neve”, onde a visão precisa ser absoluta para garantir a segurança a 100 km/h, migrou para as trilhas de mountain bike, para o beach tennis e para a corrida de rua.
Para o gestor de óptica, essa transição marca o fim da era do “óculos solar comum” para a atenção aos modelos voltados para o público esportista. O setor agora lida com um Equipamento Técnico de Performance, e quem souber traduzir essa tecnologia em benefício clínico terá em mãos uma das ferramentas mais poderosas de fidelização e lucratividade.
Para o Dr. Marcelo Jordão, médico oftalmologista, a classificação desses produtos precisa ser revista pelo mercado. “Os óculos esportivos são equipamentos de proteção individual (EPI) e de performance visual, não meramente itens estéticos”, pontua. Segundo o médico, a diferença entre uma lente solar convencional e uma técnica reside em quatro pilares: material, óptica, filtro e geometria. “Enquanto lentes comuns focam no conforto casual, as esportivas utilizam materiais resistentes para suportar impactos de alta energia (como galhos ou pedras) e desenhos ópticos que corrigem aberrações periféricas em armações curvas”, explica o Dr. Jordão. O benefício clínico é direto: prevenção de pterígio, catarata precoce e até descolamentos de retina causados por traumas.

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A produção desses equipamentos exige um rigor que o varejo precisa dominar para vender valor, não preço. Luiz Ricardo (Rica), Gerente Comercial da HB, enfatiza que o design de base alta (curvo) não é apenas estético, mas funcional. “Diferente de um acessório de moda, o óculos esportivo projeta a dinâmica do movimento. Ele amplia a visão periférica e possui borrachas que aumentam a aderência conforme o atleta transpira”, revela. Rica destaca que o desenvolvimento na HB é um trabalho “a quatro mãos”, envolvendo atletas profissionais que testam os produtos em condições reais. “Lentes técnicas são calibradas. Por exemplo, filtros que realçam o vermelho e o marrom ajudam ciclistas a identificar irregularidades no asfalto milissegundos antes, evitando acidentes”, completa.

Para o varejo, o desafio é transformar o vendedor em um consultor. Igor Junqueira, CEO do Laboratório LG HD Lentes Oftálmicas, defende que o público esportista busca solução, não apenas correção. “Quando a óptica entende esse comportamento, o valor percebido cresce naturalmente. Lentes para atletas não são um nicho restrito; são uma extensão do bom atendimento que explora segurança e suporte técnico”, afirma Junqueira.

Essa consultoria passa por pontos críticos:
- Análise de Modalidade: Identificar se o cliente precisa de precisão (golfe) ou velocidade (ciclismo).
- Adaptação de Grau: Realizar cálculos matemáticos complexos para evitar o “efeito prisma” em lentes curvas.
- Ergonomia: Garantir que o equipamento não gere pontos de pressão ao ser usado com capacetes.
A importância desse rigor técnico é validada por quem vive no limite. O atleta André Pássaro reforça que o equipamento é uma extensão do corpo. “O óculos esportivo me traz a confiança necessária para focar apenas na performance. Em ambientes onde a luz e os obstáculos mudam constantemente, a clareza visual e a estabilidade da armação são o que separam um treino bem-sucedido de uma queda.”

Checklist para o Gestor: Por que investir neste segmento?
- Diferenciação: Poucas ópticas dominam a venda técnica de curvatura e filtros seletivos.
- Ticket Médio: Lentes com tratamentos hidrofóbicos e materiais que geram alta resistência possuem maior valor agregado.
- Fidelização: O esportista que confia sua visão (e segurança) a um consultor torna-se um cliente recorrente.
Seja refletida no branco das montanhas olímpicas ou no barro das trilhas brasileiras, a mensagem para o mercado óptico é clara: a performance começa pelos olhos. A óptica que se posicionar como provedora de tecnologia e segurança, e não apenas de moda, estará no topo do pódio em 2026.
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